quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ENTREVISTA: [CONJUNTO VAZIO]

Retomamos o espaço de entrevistas com o [Conjunto Vazio]. Eles são de B.H. Tem em sua base de práxis ações, situações, performances, etc. No intuito de buscar horizontalidade nas relações que se propõem a efetivar com a cidade, com a política, com a crítica ao sistema de arte e com os moradores da cidade de B.H. A entrevista foi concedida pelos participantes do "Conjunto"... na verdade, ela foi interceptada pelo "Conjunto"...segue:

1. Como anda o cenário das artes visuais em Belo Horizonte?

As artes visuais em Belo Horizonte continuam como em qualquer lugar do mundo, como uma mercadoria e como tal separada de qualquer parte da vida. Só isso já é o bastante para dar a dimensão do que achamos de um possível mundo da arte em Belo Horizonte. Podemos dizer que há muitas pessoas produzindo, o que por si só não diz nada, sabemos que há a velha guarda que consegue lidar muito bem com o mercado e expor em todo o país, obviamente, são poucos e esses não nos interessam nem um pouco.

Há os mais novos, querendo avidamente adentrar no mercado artístico, digamos que esses muito deles se misturam com práticas mais subversivas da cidade. Por mais que alguns deles tenham interesses para além dos estéticos (por exemplo coletivo Azucrina, grupo Poro, Kaza Vazia e provável que o próprio [conjunto vazio] ), dificilmente conseguem ultrapassar a mentalidade de simplesmente oferecer produtos artísticos.

Interessante notar os espaços de Belo Horizonte, pois formam os nichos de mercado, o das Artes por exemplo, como o próprio nome já diz recebe em sua maioria só grandes exposições ou artistas com uma história mais densa, o que dificilmente sai do senso comum de um espaço elitista.

"É somente agora que reconheço sua beleza e me recuso a aprisionar qualquer parte de minha vida" Performance apresentada no MIP2 (2ª Manifestação Internacional de Performance) de Belo Horizonte.

A Quina Galeria, muito espertamente localizada no Edifício Maletta no centro da cidade, pretensamente trabalha com arte de rua e essas novas manifestações. Não poderíamos esquecer de falar de Inhotim, diversão alienada para toda a família, onde toda a classe média e alta leva suas crianças para sentir o aroma meio apodrecido da arte contemporânea... é interessante notar o fetiche do espaço, por exemplo se alguém pergunta para outra pessoa: "Você já foi a Inhotim?" e a resposta é negativa, quase sempre a reação é "Como assim você nunca foi a Inhotim?!". Lugares fetiche, pontos turísticos definitivamente não nos interessam são lugares mortos. Não podemos esquecer das denuncias de Inhotim como um espaço para a lavagem de dinheiro e outras irregularidades. É claro que isso são boatos mas não me parece de todo falso já que nunca se investiu tanto em arte na história...

Enfim, Belo Horizonte como um mercado de arte é muito rico, com muitos artistas se vendendo por muito menos do que estariam dispostos a pagar por eles.

2.       Vocês sob a alcunha de “Conjunto Vazio”, elaboram colaborativamente alguns trabalhos. Fale um pouco sobre o Conjunto...quando surgiram, quais são as propostas atuais de vocês, etc?
"É somente agora que reconheço sua beleza e me recuso a aprisionar qualquer parte de minha vida"

O [conjunto vazio] é apenas um nome e foi criado em 2006, para agregar os mais diversos interesses. Uma parte do coletivo veio de práticas artísticas (teatro, performance, vídeo, artes visuais) enquanto outra do meio Punk/Hardcore, tendo bandas, fazendo fanzines, participando de coletivos mais diversos (de luta pelos direito dos animais a body suspension, por exemplo). Gostamos muito de brincar que na verdade o [conjunto vazio] é o seu pai que leva os objetos de uma performance de carro e não reclama, sua mãe que empresta manequins ou carrinhos de compra, amigos que são acordados as 4 da manhã pois a pessoa que iria gravar a ação não vai mais. É uma rede de cooperação favorecendo o "faça você mesmo"... enfim, o [conjunto vazio] é simplesmente uma grande desculpa para reunir pessoas em ações comuns, movidas pelo tédio de morar em uma cidade grande que não oferece grandes expectativas, só isso...

As primeiras ações do coletivo ainda guardavam ambições estritamente "artísticas", a partir de 2007 passamos a ter uma preocupação maior na parte teórica e crítica, organizamos debates internos e fomos percebendo cada vez mais uma certa falência de aspirações apenas artísticas e as potências da cidade e ações em seu espaço como meio de mudança da práxis utilitária e cotidiana de seus meios. O que acabou por quase eliminar toda a ala "artística" do coletivo. Atualmente achamos que essa separação começou a ficar um pouco estéril e pessoas com interesses estéticos também voltaram a aparecer.

Nossa proposta sempre foi de aliar prática e teoria, não só fazer ações mas refletir criticamente sobre elas e sobre nosso entorno. Nossos projetos atuais são para justamente evidenciar isso, procurar espaços cada vez menos propícios para que eventos estéticos ocorram, tentando usar tais elementos para criar ruídos que não sejam facilmente absorvidos como "Arte", além disso continuamos com nosso blog onde publicamos textos críticos dos mais diversos assuntos (pretendemos lançar um fanzine com nossos textos, tentando retomar um pouco a idéia de material impresso que era tão comum no hardcore/punk e que se perdeu).

Na verdade, nós só queremos tomar o poder e mudar o mundo, mas se isso não for possível e não conseguirmos que sejam ao menos tardes divertidas e não tediosas.

3. Como se dá o processo de criação de vocês, ele é realmente horizontal? Ou é meio inclinado?

Ótima pergunta e muito capciosa, ela envolve uma complexa relação, cheia de sentidos e armadilhas, como a relação de "grupo" e principalmente de "coletivo" (forma de organização que já virou um senso comum na arte contemporânea). Primeiramente é importante notar que vemos o "coletivo" como um tipo de relação muito mais promiscua e maleável do que por exemplo "grupos de teatro", " ou até mesmo "bandas" (isso sem falar de "partidos"). Tal caráter maleável sempre nos interessou muito, a capacidade de receber novas pessoas e propostas, tanto quanto a capacidade nomadizar. Por isso usamos o termo "coletivo". A noção de "horizontal" é justamente a tentativa de acabar com relações de poder tão comum nesse tipo de prática (podemos citar: diretor, autor, compositor, líder do partido), é óbvio que não negamos que possa haver liderança (nunca líderes) mas isso dentro do coletivo também se mostrou passível de críticas. Então pensamos que se não é horizontal se dá nessa tensão para tentar ser.

Nossas ações são sempre pautadas em plágios (não há nada de novo no mundo), então o que fazemos é roubar e refazer tudo que achamos interessante. A partir dessa idéia/ação roubada ela é compartilhada, a partir daí começamos a nos encontrar e discutir para que possamos efetivar esse projeto, nesse instante acredito que seja realmente horizontal, afinal assim como não esperamos que os outros nos levem a sério, também não nos levamos... então não há idéia, projeto ou ação sagrada e inquestionável, ela se dá no processo.

4. Gostaria que vc pudesse tecer um comentário sobre o trecho de um livro do Bourriaud, que achamos ter haver com esse papo aqui. Ele fala sobre arte relacional,coletivos, trabalhos em grupo e tal...“Essas práticas artísticas relacionais têm sido objeto de uma crítica constante: como elas se limitam ao espaço das galerias de arte, estariam contradizendo esse desejo de socialidade que funda o sentido delas. Assim são criticadas por negar os conflitos sociais, as diferenças, a impossibilidade de comunicação num espaço social alienado(...)”

Alma prisão do corpo (arquitetura da destruição) Improvisões 2006.

Não podemos, primeiramente, deixar de fazer um pequeno parêntese: não somos artistas, não nos vemos assim dentro do coletivo, apesar de trabalhar com elementos , não acreditamos que o que fazemos é arte, isso por si só nos afastaria um pouco de Bourriaud. Sobre ele, apesar de estar totalmente imerso no mundo da arte nesse aspecto vai direto ao ponto, já que grande parte dos artistas com pretensões que vão para além da Arte esquecem, primeiramente, dessa afinidade entre arte e a mercadoria, depois que a Arte quase sempre exige espectadores, nada mais longe de uma real e efetiva comunicação que espectadores passivos consumindo Arte em museus, teatros, cinemas, etc. ...

Não sei o quanto conseguimos escapar disso (e na verdade adoraríamos ser cooptados e ganhar para fazer o que fazemos de graça) mas é essa nossa luta constante, desvincular Arte e estética, e utilizar justamente essas criações estéticas para tentar subverter o cotidiano entediante.

5. Vocês aí em B.H. tiveram até algum tempo atrás, ótimas experiências com um outro projeto chamado espaço “Ystilingue”. O que ele se propunha a fazer e como funcionava?

(é importante destacar que o que enunciamos sobre essa história recente das movimentações e dos espaços em BH é uma visão particular do coletivo, não pretendem encerrar e nem dar a palvra final sobre o que de fato são essas praticas)

O Ystilingue está inserido em meio a muitas movimentações daqui de Belo Horizonte. É difícil explicar o espaço e muito menos pretender falar o que é o Ystilingue então nosso relato é parcial e intransferível . É difícil falar do Ystilingue sem citar por exemplo o Domingo Nove e Meia, que é um evento anti-capitalista, horizontal feito todo último domingo do mês debaixo do viaduto Santa Teresa, as vezes com shows, debates, pic-nics veganos ou simplesmente um ponto de encontro. Foi através dele que muitas pessoas se conheceram e começaram a se juntar e movimentar. Também dos encontros do Domingo Nove e Meia que surgiu a idéia de uma Loja Grátis, que foi fechada recentemente mas perdurou um bom tempo no Mercado Novo de Belo Horizonte, como um espaço que tentava subverter a lógica comum das mercadorias "pagou levou". O grande problema da Loja Grátis foi sua pouca infra-estrutura, não tinha luz por exemplo e a disposição energias para manter a loja foram minguando. Esse espírito de troca ainda se mantêm por exemplo com feiras-livres no Domingo Nove e Meia ou o Baú das Dádivas no Ystilingue.

No começo, há uns bons anos, o Ystilingue era um coletivo de arte, eles mantinham no Maletta esse espaço onde faziam suas ações e organizavam seus projetos. Ao longo do tempo os integrantes começaram a dispersar mas ainda assim mantinham uma programação como o Sabah do Par, onde todo sábado par do mês se reuniam para fazer trocas de filmes, músicas, programas... enfim, a mais pura pirataria. A partir disso que novas pessoas começaram a freqüentar o espaço e a propor novas programações, já que desde a época que o espaço estava vinculado a um coletivo artístico a idéia que o espaço funcionasse como um estilingue projetando os desejos e projetos mais variados. A partir disso, uma rede foi se formando, principalmente com reuniões as segundas-feiras abertas e horizontais para gerir o espaço, a partir disso o Ystilingue virou um espaço e não um coletivo, cujo os freqüentadores determinariam seu uso.

O Ystilingue é um espaço de autogestão, solidariedade e experimentação, um espaço no centro de Belo Horizonte com biblioteca, videoteca, uma lanchonete vegana, um espaço realmente em constante movimento e importantíssimo justamente por isso, por reunir pessoas, desejos e projetos tão distintos. Para quem quiser conhecer mais: http://www.ystilingue.tk/ e o endereço é Avenida Augusto de Lima, sobreloja n°35 do Edifício Maletta, centro de Belo Horizonte

6. Quais concepções ou nomes influenciaram ou influenciam as ações do “Conjunto Vazio”?

Certa vez uma jornalista escrevendo sobre o coletivo, na época da nossa performance chamada  "Esperando Debord" perguntou se tínhamos uma influência de Samuel Beckett, respondemos que éramos mais influenciados pelo Sex Pistols. Para além da ironia e rebeldia juvenil, não podemos deixar de vê-los como uma real grande influência, principalmente pelo seu cinismo. O punk de certa forma deu ao coletivo historicidade(e talvez a toda uma geração),  uma espécie de linhagem, através dele tomamos conhecimento das vanguardas históricas e todo um pensamento subterrâneo que deságua no punk. O punk talvez tenha nos dado a mais importante influência e prática,  o  DIY/Faça você mesmo, aprendemos a não esperar que ninguém realize nada por/para nós.
Além do punk, sempre voltamos ao dadá, Internacional Situacionista (talvez nossa influência mais óbvia), Provos e também toda uma tradição anarquista e de pensamento político radical. Filósofos do pós-estruturalismo (Deleuze & Guattari, Foucault, Lyotard, Agamben), Teoria Crítica e o chamado pós-marxismo tambem perpassam nossas discussões. Fomos muito influenciados pela Crimethink, Coletivo Entreaspas, Coletivo Cisma, Coletivo Gato Negro (principalmente em sua fase como um Centro Anti-cultural), Coletivo Acratico Proposta (CAP), sendo esse últimos três, coletivos importantíssimos em Belo Horizonte, do qual nós nos sentimos um pouco herdeiros. No campo "artístico" o Teatro da Vertigem e vários artistas da performance art são importantes para nós.






Eu me vendo por muito menos do que você paga.
"Eu me vendo por muito menos do que você paga" Depois de convidados a se retirar do Festival de Cenas Curtas, nos apresentamos na rua em frente ao Galpão Cine Horto

Pode parecer uma lista inflacionada e pretensiosa, mas conseguimos ver uma grande relação entre esses elementos, mesmo que pareçam tão díspares. No geral gostamos de tudo que é de mal gosto, ambiguo e idiota... gostamos disso porque é o que somos.

7. Vocês já tiveram algum problema de inviabilização de idéias por conta da burocratização nas instituições artísticas de B.H. ou em algum outro lugar?

Constantemente. Somos um coletivo que já pensa suas ações planejando suas linhas de fuga... a proposta é sempre organizada de uma forma que tenha planos de escape. Muitas vezes nossas ações só parecem ser "perigosas" para nós mesmos, mas achamos importante pensar nisso, já que os efeitos podem ser imprevisíveis (e por mais que pareça, não queremos ser presos).

 "A ilha" Outubro de 2009

Nunca tivemos nenhuma ação inviabilizada até porque somos do tipo que ao prever qualquer tipo de barreira, esconde as reais motivações. Isso aconteceu mais nitidamente nas duas edições que participamos do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto, com as performances "Esperando Debord" e "Eu me vendo por muito menos do que você paga". Já sabíamos que a produção não permitira metade das coisas que queríamos fazer e era importante que ninguém fora do coletivo soubesse sobre o que se tratavam as performances. No caso do "Eu me vendo..." foi um pouco mais grave, pois por um golpe do destino fomos a segunda cena mais votada dos 4 dias de festival (detalhe: comprávamos os votos) sendo assim deveríamos participar da temporada das cenas vencedoras. É óbvio que não fazia sentido apresentarmos a mesma performance, então, uma nova performance foi apresentada e era levemente mais caustica, provocativa e não menos infantil ocasionando um mal-estar tremendo nos bastidores.

O que levou o Chico Pelúcio (integrante do Grupo Galpão e diretor do Galpão Cine Horto) a nos ligar convidando o [conjunto vazio] a se retirar do evento. Como somosenfant terribles isso foi um presente, passamos a fazer a performance na intna rua, em frente ao Galpão Cine Horto, já que eles não se dispuseram nem ao menos explicar em público qual a real razão por sermos retirados do evento (perceba aqui a imensa alegria que essa pequena polêmica causou no coletivo) . Esse fato ocasionou nossa provável exclusão eterna do meio teatral belohorizontino.

O fato, é que não sofremos com a burocratização nem das instituições e nem do poder publico, simplesmente porque não pedimos autorização e por mais que queiramos ser uma ameaça ninguém liga para um bando de jovens brincando de revolucionários no final de semana.

8. Belo Horizonte parece ter um cenário bastante ligado às ações de rua, intervenções e situações. Vc vê isso como resultado do quê? Sabemos que existem poucos salões de arte e bolsas de incentivo as Artes Visuais por aí...

Na verdade achamos que isso é uma tendência na Arte mundial, já que qualquer um que acompanhe o site do Wooster Collective, por exemplo, sabe do que estamos falando. É claro que em Belo Horizonte existem pessoas trabalhando com arte de rua a um bom tempo, além disso a cidade tem um histórico antigo e forte de teatro de rua. Isso tudo cria um cenário mais propicio.

Houve anos atrás um boom de sticks e stencils pela cidade e muitas coisas legais invadiram as ruas, o problema que víamos nisso depois de um certo tempo é que de certa forma tais intervenções deixaran de dialogar com a cidade, passaram a transformá-la em tabula rasa ou encará-la como um museu a céu aberto. Certa vez, nos deparamos com um stick que era a própria foto do criador desse stick com a tag(assinatura) dele, começamos então a pensar o quanto isso é semelhante aos trabalhos publicitários, não era uma subversão ou uma piada com propagandas era uma total assimilação de um modo de promoção (no caso de auto-promoção). Isso parece imperar nos trabalhos de Arte na rua, pois usam a rua como se fosse um "palco" ou "museu", o que para nós soa um jeito pouco crítico de apropriação.

Sintomático foi em 2008 o Bolsa Pampulha, bolsa destinada a jovens artistas do Museu de Arte da Pampulha ter uma edição voltada apenas para a Arte Urbana, nos parece não só uma falência do modelo tradicional dos museus como um alinhamento dessa tendência cada vez maior do espaço, principalmente a cidade, como um ponto central da Arte. Sem cair em um marxismo raso, parece que as condições materiais tem levado os artistas a irem cada vez mais para a rua pois parece ser o único espaço possível, afinal são pouco que conseguem a chancela de um museu, por exemplo.

"Dia sem compras". Novembro de 2007

Para além do âmbito estritamente artístico, tem várias ações acontecendo nas ruas de Belo Horizonte, desde o já citado Domingo Nove e Meia, shows debaixo do Viaduto Santa Teresa, Batalha de MC's, Bicicletada, a Praia da Estação. Inclusive a Praia da Estação veio afrontar os mandes e desmandes do prefeito Marcio Lacerda que arbitrariamente proibiu qualquer tipo de evento na Praça da Estação (justamente a praça arquitetonicamente construída para isso), o que gerou primeiro debates e depois a chamada de uma ação propositalmente anônima, horizontal e autônoma (inspirada não só na "Ilha", ação em rotatórias feitas pelo [conjunto vazio], mas que remetiam a uma ação muito antiga do Grupo Galpão na Praça Sete, como ao projeto "Lotes Vagos" e aos eventos em rotatórias do coletivo Azucrina). A Praia tornou-se surpreendente em seu tamanho já que o esperado eram poucas pessoas e se transformou em algo para além de qualquer expectativa e mais do que isso, permitiu novas articulações, debates e encontros em Belo Horizonte. O que era uma chamada anônima e uma ação localizada, transformou em uma ocupação de todos os finais de semana na praça. Nosso caminho atual seja esse, caminho que a Praia evidenciou, tentar aliar elementos estéticos, críticos, políticos e esse dialogo com a cidade.







9. Encontramos um vídeo de uma banda chamada Fadarobocoptubarão, com uma participação de um dos integrantes do coletivo no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=4TNoEnw-MBg ). Gostaria que você comentasse essa cena puramente masoca rsrs...



Como falado, somos muito mais influenciados pelo Sex Pistols do que Samuel Beckett, mais por Iggy Pop do que Gina Pane e mais ainda, muito mais por GG Allen do que pelo Accionismo Vienense. Tal video, inclusive gravado no Domingo Nove e Meia, mostra nossas desenvolvidas e brilhantes técnicas por uma Body Art totalmente faça você mesmo. O video evidencia como somos uma juventude cliche e leitores de Chuck Palahniuk.


http://www.comjuntovazio.wordpress.com/



Mais informações sobre o Conjunto, clique AQUI.
 
Veja também as entrevistas com Alexandre Sequeira e Murilo Rodrigues

5 comentários:

Anônimo disse...

Os artistas daqui são muito parados! E esse pessoal que diz que faz arte urbana, arte de rua, intervenção!? Fazem nada, vai tudo pra salão. Falei ocm um cara de fora um dia desses e a impressão que o pessoal de sampa tem daqui é que só o pessoal da fotoativa produz, porque o resto nem aparece. Já conhecia um pouco do trabalho desses caras de BH e aí dá pra ver que eles estão produzindo sempre, sem vínculos com instituições ou dependendo da grana delas, botando pra frente suas idéias.

W. Amaral

Anônimo disse...

Olha Amaral, se os artistas são muito parados, porq vc que não é artista não faz algo então? Crie seu enclave, o sistema está aí para ser vivido ou não, ninguém é obrigado a gostar dele, ele é apenas UM dos sistemas que regulam essa joça de planeta. Mas, o que poucos fazem e se dão o trabalho de perceber, é como esse sistema especifico das artes funciona por dentro, falar o que deve ser feito é fácil, vai lá fazer. Para modificar algo, não de fora para dentro jogando coquetéis molotov com etiquetas de grupinhos subversivos hypes penduradas, ou com alguns gurus malucos encabeçando o "coletivo" como sei de alguns que existem por aqui.
Essa noção de dualidade, bem e mal, dentro fora, é coisa do século 19,conheço pessoas em Belém que agem dentro e fora do sistema. As instituições estão aí e implodi-las sem machucar ninguém fisicamente nem mentalmente é a contra cultura hoje. Usar o que já foi tentado pelos grupos utópicos do passado é perda de tempo, outro contexto, outras demandas, outros métodos.
valeu pelo comentário
Continue visitando o blog!
Ricardo Macêdo

Anônimo disse...

Não foi nesse sentido que me pronunciei. E é fácil dizer que estar atrelado ao sistema de um lado e não estar por outro é o que há. E a iniciativa própria de
subverter a ordem? Não sou artista , Ricardo, mas, tenho
visto o q vcs andam fazendo, mesmo esses grupos que vc citou. E não é muita coisa, as intervenções de vcs são reoordenadas para galerias
,e também não corcordo com grupinhos liderados, hierarquizados (esses, pensam q ninguém percebe), mas, também acho que as pessoas aqui deviam pensar mais as ruas do que as instituições, galerias, salões, etc.

Novas Medias!? disse...

Olha Amaral, as pessoas na maioria - eu acho - pensam que o artista ou o cara que lida com arte é um ser a parte do social, te digo, penso, que arte (pra mim) é profissão, e junto as aulas que ministro, penso arte também como uma profissão como outra qualquer...quem te disse que por sermos artistas temos de ajudar a mudar o mundo a todo momento? Esse papo é papo de mártir e é engraçado que a maioria dessas pessoas que querem mudar algo, quando a gente conhece mesmo, percebe-se que não conseguem mudar nem a si mesmos, são escangalhadas por dentro, vão mudar o que então, aqui fora?

R.Macêdo

Anônimo disse...

eu curti esta entrevista!
LC Carvalho
www.lccarvalho.blogspot.com