quarta-feira, 4 de março de 2015

Abertas as inscrições processo seletivo para a ESCOLA INTERNACIONAL DE CINEMA E TV DE CUBA

Abertas as inscrições processo seletivo para a ESCOLA INTERNACIONAL DE CINEMA E TV DE CUBA

INSCRIÇÕES PARA CANDIDATOS BRASILEIROS 

A Coordenação dos Exames de seleção para a EICTV no Brasil comunica que estão abertas até o dia 7 de março, as inscrições para o Processo Seletivo 2015 / 2018. As provas serão aplicadas nos dias 13 e 14 de março, em cinco cidades: Belo Horizonte / MG, Recife / PE, Florianópolis / SC, Brasília / DF e Belém / PA.

Serão oferecidas oito especializações:
-  Direção,
- Produção,
- Roteiro,
- Fotografia,
- Som,
- Documentário,
- Edição e
TV e Novas Mídias.
Cada candidato deverá optar por apenas uma destas especializações.

O curso tem duração de 3 anos. O início está previsto para setembro de 2015 e término em julho de 2018.




Processo de seleção
Cada candidato responderá a 2 provas escritas: uma prova de conhecimentos gerais e uma prova correspondente à especialização que escolheu. Os candidatos aprovados nas provas escritas passarão por entrevista oral no dia seguinte (14 de março). A comissão julgadora, então, realiza uma pré-seleção indicando os melhores candidatos em cada especialização. Caso haja necessidade, algumas entrevistas serão realizadas no domingo, dia 15 de março. Os candidatos que tenham vindo de outras cidades terão prioridade, na ordem das entrevistas. Todo o processo é realizado em português. O material e a documentação dos selecionados são enviados, em seguida, para Cuba, para a EICTV. O Conselho Docente da EICTV faz a seleção final. Os nomes dos candidatos selecionados devem ser anunciados na segunda quinzena de junho.

Do Brasil, serão selecionados de quatro a seis candidatos. A seleção é feita por especialização, entre os candidatos de todo o mundo, principalmente da América Latina. São oferecidas 5 vagas por área formando um grupo de 40 estudantes. Não existe uma cota determinada para cada país. 

A Prova Específica acontece entre 8h e 11:30h e a Prova de Conhecimentos Gerais, entre 13:30h e 16:00h, no dia 13 de março.

Matrícula

A matrícula para os três anos tem um custo de cinco mil euros por ano. Forma de pagamento: à vista (em setembro) ou em duas parcelas (setembro e janeiro). O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual subsidia parte do valor da matrícula dos alunos brasileiros sendo o restante pago pelo aluno. Este subsídio cobre integralmente a matrícula do segundo e terceiro anos e parte do primeiro ano do curso.

Os estudantes que ingressam no curso regular têm direito a hospedagem em quartos individuais, alimentação, transporte entre Havana e San Antonio de los Baños, assistência médica primária e de emergência, material escolar e produção integral dos trabalhos em cinema e vídeo.



Sobre a Escuela Internacional de Cine y TV
A  EICTV, localizada em San Antonio de los Baños (Cuba), é considerado um dos melhores centros de formação audiovisual em todo o mundo. Foi fundada em 15 de dezembro de 1986, pela Fundação Novo Cinema Latino-Americano (FNCL). Seus fundadores foram o jornalista e escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez, o poeta e realizador argentino Fernando Birri e o teórico e realizador cubano Julio García Espinosa, entre outros. Na época, a intenção foi criar uma escola que atendesse povos de língua latina, África a Ásia. Desde então, já formou milhares de estudantes e profissionais de mais de 50 países, que fizeram desta escola um espaço para a diversidade cultural de grande envergadura, hoje referência mundial.

Inscrições     
                                                           
ficha de inscrição estará disponível neste link ou no blog www.eictvbrasil.blogspot.com, no alto da coluna ao lado, a partir de 12 de janeiro.

Visite o blog e saiba mais www.eictvbrasil.blogspot.com

Local da prova em Belém:
Regional Norte do MINC - Belém
Avenida Governador José Malcher, nº 474 - Nazaré

Maiores informações: 91-98342-1531, com Afonso Gallindo

-- 
Visite nosso site facebook.com/comunidadedarte

Cine Líbero Luxardo integra circuito de Cinema Francófono em parceria com a Aliança Francesa

O mês de março é dedicado às programações que ressaltam e valorizam a Francofonia, uma das grandes áreas linguísticas mundiais. Os países que formam o grupo, porém, não se limitam ao idioma em comum, mas compartilham também os valores humanistas disseminados pela língua francesa. Como parte das programações do mês da francofonia, a Aliança Francesa de Belém promove aos amantes da sétima arte um Circuito de Cinema Francófono repleto de humor, suspense e emoção. Em parceria com o Cine Líbero Luxardo, Cinema Olympia, Cine Estação e o Sesc Boulevard, o circuito contempla todos os cinéfilos de forma diversificada e divertida de 04 a 31 de março, com uma programação que vai do clássico ao contemporâneo.    
      
Com horário marcado às 19h, sempre de quarta feira e domingo, o Cinema Líbero Luxardo dá início às homenagens à francofonia com exibições de longas-metragem que prometem encantar a todos. O cinema começa a sua programação, de 04 a 08/03, com o filme francês “La Vie Domestique”, de Isabelle Czajka. “Goodbye Morocco”, do francês Nadir Moknèche invade as telas do cinema local de 11 a 15/03. “L'Escale”, do iraniano Kaveh Bakhtiari está em exibição de 18 a 22/03 e o filme senelagês “Aujourd'hui”, de Alain Gomis, finaliza a programação do Cinema Líbero-Luxardo de 25 a 29/03.

Internacionalmente comemorado no dia 20 de março, a grande festa da diversidade francófona tem por objetivo celebrar as culturas de todos os países que fazem parte deste bloco de união chamado Francofonia. Assim, o evento que acontece nos cinco continentes é promovido pela Aliança Francesa de Belém na cidade, proporciona um mês de março recheado de eventos que ressaltam as culturas francófonas dos 57 países-membro, dentre eles a França, Marrocos, Bélgica, Suíça e Canadá.



Programação Cine Líbero Luxardo 
Entrada franca


De 04 a 08 de março, às 19h
A VIDA DOMÉSTICA
Título original: La Vie Domestique | Direção: Isabelle Czajka | Roteiro: Isabelle Czajka, Rachel Cusk | Gênero:  Comédia/Drama | Ano: 2013 | País: França | Elenco: Emmanuelle Devos, Julie Ferrier, Natacha Règnier, Helena Noguerra, Laurent Poitrenaux | Montagem: Isabelle Manquillet | Cinematografia: Renaud Chassaing  | Música: Éric Neveux | Distribuidora:  Esfera Filmes | Produção: Patrick Sobelman | Cor: Colorido | Duração: 93 min. |  Classificação etária: Livre


Sinopse: Juliette vai viver nos subúrbios residenciais de Paris, mas está certa de que não quer tornar-se como as outras mulheres que lá habitam, com seus maridos ausentes, filhos adolescentes, trabalho e uma casa para cuidar.

________________________________________________________________________

terça-feira, 3 de março de 2015

Café Fotográfico com Viviane Gueller no Sesc Boulevard



O Café Fotográfico está de volta. Nesta terça-feira, no Centro Cultural Sesc Boulevard, às 18h. 'As Cidades Descaradas' é o tema da conversa com a artista multimídia Viviane Gueller, de Porto Alegre/RS, e conta com mediação de Flávya Mutran.
Mais informações, acesse http://fotoativa.org.br/?p=5248

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Oscar 2015 - Parte Final



E finalmente chegamos a um fim (?) dos drops para o Oscar 2015. Eu bem sei que muitos filmes ainda não estrearam em Belém, mais precisamente os mais interessantes. Todavia, há downloads, cinemas em outros Estados e até em outros países. Além do mais, por uma questão de tempo, os títulos aqui comentados chegarão, no final das contas, às locadoras. Só tentem ver o que mais chamar a atenção de cada um.

Depois de toda esta jornada com os indicados ao prêmio da indústria americana cinematográfica, não podemos dizer que a jornada não valeu a pena. Pudemos encontrar imagens novas, imagens velhas, imagens recicladas criativamente, discursos importantes (e muitos outros catastróficos), grandes atuações, trilhas sonoras surpreendentes e direções sofisticadas para que possamos perceber o que há de conquista e de retrocesso no evento mais mass-midiatizado da atualidade.



14 - Ida, de Pawel Pawlikowski: o maior concorrente do russo Leviatã é esta pequena/ grande obra prima polonesa sobre os efeitos da Segunda Guerra Mundial. Oportuna para marcar e evidenciar os males desta catástrofe Ocidental a partir de um drama familiar, sua chegada também contribui como marcador cinematográfico  para os 70 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz, agora em 2015.

Anna (Agata Tzrebuchowska), às vésperas de se consagrar freira, em pleno ano de 1962, tem de visitar sua tia Wanda (Agata Kulesza), antes de aceitar seus votos sagrados. Descobre, nesta ocasião, sua linhagem judia e parte com Wanda em uma dolorosa jornada para desvendar a tragédia pela qual sua família passou na Polônia.

Com um roteiro extremamente denso e sombrio, como deveria de ser, a obra é intimista, amparada pelas grandes interpretações das atrizes principais e por uma fotografia de tirar o fôlego. Cada take é milimetricamente pensado em preto & branco e lembra o trabalho dos fotógrafos suecos Sven Nykvist e Gunnar Fischer, grandes parceiros de Ingmar Bergman. Quem se interessa por temas ligados à memória, Holocausto e diáspora judia, tem neste filme um grande discurso político e artístico.


15 - Mr. Turner, de Mike Leigh: em minha humilde opinião, a nova obra do inglês (dos títulos já conhecidos Simplesmente Feliz, O Segredo de Vera Drake etc.) foi uma das maiores injustiças em termos de indicações (recebeu somente indicações técnicas, como fotografia, direção de arte, figurino e trilha sonora). Com esta cinebiografia do pintor inglês, consagrado romântico, William Turner, Leigh nos entrega um clássico instantâneo e nada acadêmico, algo difícil quando se trata de cinebios.

 Timothy Spall, ganhador do Prêmio de Melhor Ator em Cannes 2014 por esta performance, é nada mais que soberbo. Pergunto: quem viu alguma coisa de relevante no insípido do Bradley Cooper que merecesse tirar Spall da corrida? Afinal, os distintos momentos da carreira do pintor são destrinchados com inteligência e corporalidade: temos aqui os dilemas de Turner com sua primeira esposa (a distinta atriz Ruth Sheen), sua relação com o pai (Paul Jesson, também inspirado), a mudança paulatina na sua forma de pintar e de pensar, as experiências de imersão nos temas de suas telas, a paixão pela transcendência como algo passível de ser captado pelo pincel, os conflitos de egos e o mise-en-scène nos Salões da Academia londrina, até uma relação de opressão silenciosa sobre sua criada Hannah Danby (Dorothy Atkinson) e seus dias com uma iluminada Marion Bailey (a qual vive Sophia Booth, sua última esposa).

A fotografia, como tinha de ser, magistralmente criada por Dick Pope, é pintura filmada. Ganhadora da mesma categoria em Cannes 2014, além de inúmeras outras premiações, se consagra como um elemento chave para entender a beleza e a atemporalidade da obra do pintor. 


16 - O Abutre, de Dan Gilroy: outra injustiça no prêmio da academia, desta vez com a estréia na direção de Gilroy, roteirista do conhecido Gigantes de Aço, dirigido por Shawn Levy, e do cult Dublê de Anjo, dirigido por Tarsem Singh. 

Pode até ser que muitos não tiveram peito para lidar com uma obra tão sombria, cínica e crítica sobre nossos dias (ela, pelo menos, ganhou uma indicação em Melhor Roteiro Original), mas, para além desse detalhe, não deixa de ser relevante para evidenciarmos como reproduz um discurso que está posto pela mídia sensacionalista: o filme abre espaço produtivo para se problematizar espetáculos vazios, apoiados em vivências pobres e capitalizantes em torno da violência, da sexualidade e do consumo. 

Jake Gyllenhaal vive Louis, simplesmente um memorável vilão para o cinema contemporâneo. Seu personagem, articulado em discursos de auto-ajuda e de superação, é um retrato assustador das falas zumbis de vários sobre perseverança e motivação retóricas. Empertigado em uma "carreira" de sair pelas ruas da cidade com uma câmera na mão, Louis, acompanhado por um rádio com a frequência da polícia, busca e grava imagens de acidentes e crimes para vender, depois, para os noticiários locais.

Acredito que O Urubu possui um relevante discurso crítico para repensarmos o que devemos consumir na televisão, tanto aberta quanto fechada. As audiências de programas como BBB e muito outros reality shows são feridas em nossos atos de buscar coisas que valham a pena pensar e comentar.


17 - Garota exemplar, de David Fincher: pelo visto, este último post ficou com as injustiças do ano. Garota Exemplar já tinha passado nos cinemas, então muitos puderam conferi-lo. Uma pena que a nova obra do diretor americano, um surpreendente e sofisticado suspense, também ficasse legada ao grupo dos esnobados pelo Oscar 2015.

Rosamund Pike (Anne Dunne), indicada ao prêmio de Melhor Atriz, está estupenda. Ela vive a esposa de Nick Dunne (Ben Affleck), desaparecida logo no início da história, com uma delicadeza de camadas de cinismo e de personalidade assombrosas. O circo criado em torno do personagem de Affleck, com sua  condenação sumária pela imprensa, mesmo sem provas, é interessante para se problematizar o poder da mídia, a manipulação de discursos e a capitalização da tragédia alheia.

Este filme traz na trilha sonora, pela terceira vez, o trabalho de Trent Reznor com Atticus Ross (os mesmos ganharam o Oscar por esta categoria com A Rede Social). Sem dúvida, foi o repertório mais criativo e surpreendente do ano que passou. Uma pena que este trabalho minimal e sombrio não ganhou o reconhecimento que merecia.




18 - Selma, de Ava DuVernay: também concorrente para a categoria de Melhor Filme, este longa, amplamente comentado e discutido por apresentar incoerências históricas, todas em função da escolha narrativa do roteiro, traz direção segura de DuVernay, cuja maior produção foi voltada para a televisão (este é seu terceiro longa, portanto, para o cinema). Além destas informações, podemos dizer que é uma obra acadêmica, mas feita com muita paixão e profunda dignidade.

Quanto às incoerências históricas: bem, esta é uma ficção, pautada em recriação. Sua intenção não é a de ser um roteiro todo cheio de minúcias para com a complexidade do passado. E mais, não desvalido esta decisão de direção e roteiro, ainda mais quando vejo que a mesma é feita em prol de um manifesto político, o qual trata de dignidade social, entendimento da diferença, sem incorrer em motivos implícitos para práticas de sujeição e colonialismo. 

E todos estes elementos acima citados estão lá, mais uma vez, como podem reclamar uns e outros. A título destas reclamações últimas, posso responder dizendo que precisamos, anualmente (em termos de Oscar, para não generalizarem minha resposta), deste tipo de discurso para pensar que as sociedade ainda são, diariamente, minadas por preconceitos. Política é algo que se exerce no cotidiano e não a título do que seria interessante para a indústria (o tal do fictício esgotamento de temas pelo cinema não é nada mais do que retórica, pois tais "esgotamentos" não existem, ainda mais para a arte, para o ato de criar algo em que se acredita; além do mais, a arte teve sempre como pauta recriar, retroalimentar-se e elaborar novas fronteiras para o já conhecido).

A história de Selma se concentra no período em que Martin Luther King ganhou o Prêmio Nobel da Paz, com sua seguinte atuação política para obter o direito de votos para as populações negras (fato este negado até uma história recente). Como paralelo de fundo, temos os conflitos e as ações empreendidas por King e por uma crescente comunidade de ativistas para a famosa marcha a qual saiu de Selma, no Alabama, em 1965.

As atuações são muito fortes, com destaque para a brilhante e sensível criação de Tom Wilkinson (Presidente Lyndon B. Johnson); a apaixonada de David Oyelowo (Mr. King); e a participação especial e sempre muito digna e política de Oprah Winfrey (Anne Lee Cooper). A direção de arte do filme tem seus grandes momentos e a linda Canção Tema, Glory, de John Legend, Common e Lonnie Lynn, indicada nesta categoria, deve ser a vitoriosa da noite.

****


Amigos, tivemos lacunas, pois não houve chance de ver as tão aguardadas obras Vício Inerente, de Paul Thomas Anderson; Relatos Selvagens, de Damián Szifron; Tangerines, de Zaza Urushadze; e Timbuktu, de Abderrahmane Sissako. Não sei quando elas vão chegar aos cinemas das locadoras nossas. 

Também não comentei Interestelar, de Christopher Nolan, pois, ainda que tenha sido muito legal, apresentou irregularidades de roteiro (o tal do final família feliz, o amor é o que supera, com pacote de explicações fechadinho, submisso às ordens do mercado) e de trilha sonora. Fiquei satisfeito com suas indicações técnicas, mesmo sabendo que o excelente trabalho de Matthew McCounaghey poderia ter ganhado mais destaque.


John

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

WikiRebels, o Documentário

WikiRebels, documentário de 2010, para quem ainda não entendeu o WikiLeaks, um dos maiores fenômenos políticos/comunicacionais mundiais, e o papel de seu criador, Julian Assange.

O documentário foi produzido pela SVT, TV pública da Suécia. Recomendado para quem não quer entender por que American Sniper, de Clint Eastwood, é um filme criminoso.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Oscar 2015 - Terceira Parte



Estamos quase no fim de nossos comentários sobre o Oscar 2015, maior festa da indústria de massa americana (o que, portanto, não pode ser tomada como representativa do verdadeiro cinema). Desta vez, nossos comentários vão se direcionar para mais uma nova seleção de indicados, não necessariamente para o de Melhor Filme somente, mas tendo em conta aspectos para nós importantes.

Vamos lá?


10 - Leviatã, de Andrey Zvyagintsev: indicado a Melhor Filme estrangeiro, e maior concorrente de Ida, também atrelado a esta mesma categoria, o longa metragem russo é o filme mais importante de todos os concorrentes ao Oscar. Mas em que sentido? Bem, artisticamente é inegável, ainda que Boyhood tenha sua excelência por apresentar um modo de filmar bastante peculiar. Entretanto, no que concerne ao seu discurso, a obra toca em feridas comuns a nossas sociedades capitalistas como nenhum outro filme dos que estão na premiação.

A história trata, basicamente, de um personagem chamado Kolya (Aleksey Serebryakov), casado com Lilya (Elena Lyadova), e que está sofrendo as agruras de ter sua casa posta à desapropriação para ações da prefeitura local. O tal do prefeito corrupto, Vadim Shelevyat (interpretado magistralmente por Roman Modyanov), faz uso de toda a máquina municipal (polícia, burocracia e jogos sujos e violentos) para minar as tentativas de Kolya. Este último, então, recorre a seu amigo e advogado Dmitriy Seleznyov (grande atuação de Vladimir Vdovichenkov) para ajudá-lo contra esta ação arbitrária.

Filmado em locações próximas à costa do Oceano Glacial Ártico, além de ser um título muito comentado na competição oficial de Cannes 2014, Leviatã, incrivelmente, nos é peculiar. Mostra, de forma sombria e sem ingenuidade, como o dinheiro tem falado mais alto, à revelia da justiça. E mais, com sua fotografia sofisticada, cria um paralelo oposto para fazer um relato denúncia sobre a relação de classes hegemônicas e suas opressões sobre classes operárias (e nem a igreja escapa de sua visão crítica e politizada). Excelente para nos fazer identificar e problematizar, em outra escala, nosso cotidiano e nossos direitos silenciados por uma violência que consumimos diária e, nem tanto, homeopaticamente.



11 - Foxcatcher, de Bennet Miller: em seu terceiro longa metragem, Miller, o qual dirigiu anteriormente Capote e O Homem que Mudou o Jogo, parece escolher um novo drama ocorrido no mundo dos esportes. Como muitos sabem, este diretor apresenta um estilo de filmar bastante acadêmico e quase anêmico, coisa que não fez diferente nesta sua nova obra, baseada em fatos reais.

Seja como for, não podemos não mencionar as atuações impressionantes de Steve Carell (quem diria, sua performance interpretando John du Pont, um milionário mimado, de personalidade esquizóide e opressora, que resolve investir seu tempo e dinheiro em lutas greco-romanas, principalmente para levar seus esportistas às Olimpíadas de 1988, em Seoul, é arrebatadora), Channing Tatum (sim, ele mesmo, interpretando o lutador Mark Schultz, patrocinado e desvirtuado por du Pont), Mark Ruffalo (David Schultz, irmão e treinador de Mark), mais uma participação muito especial de Vanessa Redgrave (Jean du Pont, mãe de John, opressora, silenciosa e aristocrática em cada um de seus frames).

E qual o problema? Bem, o longa tem 129 min., média de tempo comum. Todavia, pelo menos para mim, este tempo parece se arrastar sofregamente por cada uma das sequências. Os diálogos não são memoráveis, mas somente algumas e outras situações dramáticas, ao passo que fotografia, montagem e trilha sonora, muito bem orquestradas, não criam um maior envolvimento, nem uma experiência que demonstre alguma paixão. O resultado, sisudo e frio, pode agradar mais a quem tem um interesse pelo esporte.



12 - Grandes Olhos, de Tim Burton: há tempos que Burton estava devendo um longa menos afetado e mais sério quanto a suas habilidades de filmar. E este momento chegou. Grandes Olhos, talvez o maior injustiçado pelo Oscar, é um retorno criativo, sutil, ainda que um pouco acadêmico, ao cinema que lhe trouxe destaque, como é o caso do de Edward Mãos de Tesoura, Peixe Grande e de Ed Wood.

Finalmente de férias do caricatural Johnny Deep, este filme traz o talento combinado de Amy Adams (Margaret Keane) com Christoph Waltz (Walter Keane), para falar da carreira da artista interpretada por Adams, amplamente subjugada por seu marido e por uma sociedade machista nos EUA da década de 1950 e 1960.

Para os amantes da visualidade, há um território aqui excelente para se explorar questões como verdade, reprodutibilidade, discurso, ética e estética na arte. E para além de aspectos mais conceituais, há uma interessante alocação histórica no período em que Andy Warhol sacudiu os alicerces do mercado das galerias. Atenção, além do mais para os sutis, muitas vezes imperceptíveis e deliciosos easter eggs (ou as chamadas referências veladas nas obras). 


13 - American Sniper, de Clint Eastwood: muitos devem saber que Clint Eastwood é um republicano, membro do partido mais conservador e perigoso nos EUA. Todavia, não se esperava que suas crenças e forma de pensar políticas pudessem ficar tão escancaradas em uma obra de cunho fascista, imperialista, revoltante e alienante.

American Sniper, seu novo trabalho, concorre, na minha opinião, a pior filme da história americana. Nele, tudo o que há de mais doentio, preconceituoso e simplista invade a tela e faz concorrência a outros filmes seus acadêmicos e de péssima qualidade (casos como o de A Troca, A Conquista da Honra, Invictus, J. Edgar e Além da Vida). A ideia, por si só, de tratar do maior atirador de elite do exército americano e alçá-lo à categoria de herói para o resto do mundo é uma abominação. Este atirador, Chris Kyle, interpretado pelo bonachão Bradley Cooper é somente um indicativo de que: 1) a academia quer, a todo custo, colocar este atorzinho nos holofotes, mesmo com atuações no automático; 2) quer afirmar sua posição conservadora, americanóide e imperialista cultural.

A história se passa no Iraque, país devastado econômica e politicamente pelos EUA e por seus interesses financeiros sobre a indústria do Petróleo (cujos argumentos expressos na mídia, claro, eram outros). E mais, pinta o velho retrato de que todo muçulmano é terrorista, seja ele mulher, criança, homem ou idoso (o personagem humilha e mata todos estes tipos no filme, sem qualquer remorso, pois, como é dito nos textos proferidos, por exemplo, "os EUA representam o melhor país do mundo"; "matamos mulheres e crianças, por que elas matam soldados americanos, e não há nada mais importante no mundo que soldados americanos";  "aqui no Iraque existe um mal que temos de curar"; "Iraquianos são todos uns selvagens", dentre uma infinidade de outras pérolas). 

Bem, eu acredito que devemos nos posicionar e mostrar estas feridas do cinema americano. Boicotá-lo, quando necessário. Temos, além do mais, de pensar criticamente e desmascarar para os outros estas mensagens/ entrelinhas que estão inseridas nestes espetáculos vazios, colonizadores e sem uma real perspectiva de história, ainda mais quando envolve países postos em situações dramáticas de apagamento social, cultural e político.

O tom generalista da película, amparada por uma produção impecável, com fotografia de altíssima qualidade, não pode cegar quem deseja pensar o cinema como ferramenta de discurso e de poder. Lembrem-se, muitos dos atuais terroristas, antes de mais nada, ganharam tal alcunha por serem contra os interesses capitalistas e extrativistas que são o toque de caixa do atual mercado "global".

Até nosso último post, amigos.

John

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Chamada Aberta - Fotoativa em Residência

Fotoativa abre Edital de seleção para Residência Artística entre abril e junho de 2015.
Dois artistas paraenses (ou residentes no estado) e dois de outros estados brasileiros serão selecionados para participar de uma imersão criativa em Belém durante dez semanas


Entre os meses de abril e junho de 2015, a Fotoativa realiza o projeto Fotoativa em Residência: dois de cá, dois de lá. Contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte de Artes Visuais – 11ª Edição, o projeto promove uma residência para 4 artistas selecionados via Edital, na cidade de Belém do Pará, Amazônia brasileira.


A residência está aberta para artistas que em seu trabalho investigam e/ou utilizam a fotografia em partilha com outras práticas, linguagens e pesquisas poéticas.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Oscar 2015 - Segunda Parte



Mais uma leva de filmes indicados está chegando aos cinemas. Para variar, uns muito interessantes, outros bastante irregulares. O Oscar, cerimônia bastante alienada em seu eixo quase sempre americano, não consegue não mostrar suas fragilidades com suas seleções. 

Em nosso segundo post sobre o Oscar 2015, vamos tratar de mais algumas destas obras, tentando marcar um olhar o mais equilibrado possível. Gostaríamos que outras cerimônias, já mais inclusivas, multiculturais, tivessem um poder semelhante de difusão (ou massificação). Como não há tal caso, voltemos para o que se tem e pensemos com perspectiva tais produtos. Comecemos?


06 - O Jogo da Imitação, de Morten Tyldum:  este filme segue passos semelhantes ao do novo cinema inglês acadêmico (e aproximações com o formato de dirigir de Tom Hooper, de O Discurso do Rei são muito claras). Todavia, para além de questões técnicas formais (com destaque para a excelente trilha sonora de Alexander Desplat, também compositor e homem-máquina-de-produzir da excelente partitura de O Grande Hotel Budapeste e de Invencível - e lembro ainda hoje de A Hora mais Escura, outro trabalho seu marcante), o conteúdo denúncia é fenomenal.

A história é simples: um grupo de descriptadores e matemáticos trabalham secretamente para desvendar um código alemão durante a Segunda Guerra Mundial. Benedict Cumberbatch está preciso (que delicada atuação a deste querido, mais conhecido por seu papel na série Sherlock). E Keira Knightley, como sempre encantadora, ajuda a marcar o tom de suspense e tensão psicológicos. Entretanto, este era um período de perseguição, prisão e castração química para todo e qualquer homossexual na Inglaterra. E como certas histórias não podem ser silenciadas, mas aguardam um momento distinto para serem recriadas/ contadas, o personagem de Cumba (o famoso matemático e criador do primeiro computador, Alan Turing) sofre na pele outro tipo de perseguição perpetrada não pelos nazistas (os "maiores" vilões da história da Segunda Guerra) contra os judeus, gays e outras minorias, mas pelo lado "bonzinho e sofredor" dos aliados. É terrível que uma série de outros atores sociais não tenham merecido lugar até uma história mais recente (e bora combinar, nem hoje ainda recebem neste mundinho ocidental).

Não sei se muitos vão conseguir sentir a mesma revolta com estas entre linhas do filme. De todo modo, pensem nisto. Como bem disse Nietzsche, somos todos um pouco de Cristo e de Anticristo (sem aportes religiosos, PFV, mas somente como metáfora discursiva mesmo). O transformador desta película crítica e política se comprovou ainda mais quando o seu elenco e a sua produção requereram, em nota oficial, um pedido de desculpas, da própria Rainha, para com os crimes perpetrados pelo seu país contra mais de 40 mil homossexuais. 


07 - A Teoria de Tudo, de James Marsh: outro filme inglês, outra cinebio acadêmica. O que eu posso falar? Bem, Eddie Redmayne não interpreta Stephen Hawking, ele é Stephen Hawking. Sua performance é tão poderosa, e isso vindo de um ator jovem, que a sua própria esposa na história, interpretação da atriz também indicada ao Oscar Felicity Jones, é engolida. Cada momento do ator em tela é deliciosamente refrescante, bem pensado. Sua humanidade e fragilidade constroem uma das maiores interpretações masculinas do cinema. Desculpe-me o excelente Michael Keaton, mas fui arrebatado por este trabalho.

Quanto a outros aspectos, acredito que não há necessidade maiores de falar sobre. O filme trata da vida do famoso físico na juventude, em alguns de seus estudos e na batalha feroz contra sua doença degenerativa.  Nesse sentido, um ponto interessante e revelado pela obra é a falta de reconhecimento que Hawking deu a sua esposa, já que esta abriu mão de sua vida para viver a de seu marido. A trilha sonora, por outro lado, ganhadora do Globo de Ouro, é a favorita para a cerimônia (e eu fico de coração dividido entre ela e a de Grande Hotel Budapeste).


08 - Caminhos da Floresta, de Rob Marshall: aqui encontramos um filme bastante problemático. Marshall tem estabelecido uma carreira muito voltada à questão dos musicais (já ganhou o Oscar por Chicago, excelente filme, mais por conta de toda sua relação e realidade com a produção do magistral Bob Fosse; ao passo que, junto de Nine, traz outro filme do gênero irregular, para não dizer de péssima qualidade). E mais, este título se perde com um roteiro bagunçado, uma montagem confusa e, às vezes, acelerada, com cortes abruptos, e um elenco de personagens muito grande que, infelizmente, acaba sendo subaproveitado durante as enormes 02 horas de duração.

Do que trata? É uma miscelânia de histórias infantis (Cinderela, João e o Pé de Feijão, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel), com uma carismática Emily Blunt (para mim, ainda mais interessante que a sempre excelente Meryl Streep) e outros atores bastante desconfortáveis em seus papéis (Chris Pine, Anna Kendrick e Lilla Crawford são os mais fracos, sem falar na aparição incoveniente de Frances de La Tour). Por sinal, Streep recebeu sua 19 indicação ao Oscar e já é, inquestionável, um cânone/ ícone. As canções são diversas - umas legais, outras esquecíveis -, enquanto que determinadas piadas são bem espirituosas, sobressaindo-se em meio a uma obra cansativa e sem ritmo. E nem acho que o figurino, indicado ao Prêmio da Academia, seja lá destacável.


09 - Invencível, de Angelina Jolie: Mrs. Jolie, realmente, caiu em descrédito comigo. Porque? Bem, este seu segundo longa na direção é um veículo feito para enganar marinheiro de primeira viagem, que não se toca no quanto determinadas mensagens perigosas podem ser distribuídas pela indústria de massa. E você acha esta informação ultrapassada? Então, meu amigo, você não somente não tem o mínimo de respeito meu, como eu lhe indico voltar ao banco da universidade para estudar mais geopolítica, cultura de massa ou antropologia mundial.

Invencível, uma produção megalomaníaca e petulante, trouxe os irmãos Cohen no roteiro, um elenco gigantesco a lá Cecil B. DeMille (com atuações certas, concordo, principalmente a do protagonista Jack O'Conell), Alexander Desplat na trilha sonora, Roger Deakins na linda fotografia (diretor de fotografia de Onde os Fracos não tem Vez, Skyfall, Soldado Anônimo, Fargo, dentre outras obras excelentes)  e, como cereja no topo do bolo, Coldplay na canção tema (vamos combinar, esta bandinha pasteurizada deveria ter encerrado sua carreira após o seu segundo álbum - tenho uma verdadeira repulsa para com o tom meloso e cafona do Chris Martin). E claro, isto é um resumo da produção sem fim que trabalhou no título (basta acessar o site do IMDB para conferir)

A história, a qual trata das desventuras de um soldado americano na Segunda Guerra, ex-medalhista olímpico, sobrevivente a uma queda de avião no pacífico, com consequente deriva ao mar, e mais um período de encarceramento em um campo de prisioneiros japonês, é um erro por completo. Primeiro, a trama é binarista ao extremo - japoneses são vilões irredutíveis e americanos sofrem, são boa gente, pacifistas, mas que coitados. Segundo, o filme leva a platéia a odiar todo e qualquer japonês que aparece na tela, criando uma justificativa implícita até para o uso das bombas nucleares. O simplismo do filme é tão grande que surpreende pelo seu alto teor imperialista e genocida. Mrs. Jolie, protetora dos oprimidos, a senhora mostrou sua face mais sombria.

Bem amigos, por enquanto é só. Até o próximo post.

John

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Oficina de Iniciação à Fotografia com Miguel Chikaoka

Pré-inscrições abertas para oficina de iniciação à fotografia com Miguel Chikaoka.

Serão duas turmas, uma às terças e quintas, e outra aos sábados. Os interessados devem fazer sua pré-inscrição gratuitamente, aqui, até o dia 5 de fevereiro.

 

A Associação Fotoativa abre seu calendário de formação de 2015 com a oficina De Olhos Vendados – iniciação à fotografia, ministrada por Miguel Chikaoka. Entre os meses de fevereiro e abril, serão duas turmas em atividade, uma às terças e quintas, e outra aos sábados.
Os interessados podem fazer sua pré-inscrição, gratuitamente, até o dia 05 de fevereiro e agendar as entrevistas de seleção. Se aceito, deve efetivar sua inscrição até o dia 13 de fevereiro.

Foto: Miguel Chikaoka 

"a proposta da oficina é articular o aprendizado e a prática da fotografia através de experimentos inspirados na leitura da gênese do processo de produção de imagens”.


Com carga horária de 48 horas, divididas em dois meses, a oficina integra vivências que envolvem práticas de construção e uso de dispositivos de visualização e captura de imagens, jogos e exercícios sensoriais, expedições e rodas de conversa.
O objetivo da oficina é estimular o exercício do pensamento crítico-criativo sobre as possibilidades do fazer fotográfico e seus desdobramentos nas mais diversas áreas do conhecimento.

Miguel Chikaoka 
Miguel Chikaoka é de Registro-SP, vive e trabalha em Belém desde 1980, onde idealizou os projetos de criação da Associação Fotoativa e Agência Kamara Kó Fotografias. Suas obras transitam entre imagens, instalações e objetos de caráter conceitual, pautados na experiência de religação dos sentidos.
Participou de diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Em 2012, recebeu o Prêmio Brasil de Fotografia e a Comenda da Ordem do Mérito Cultural – MinC por sua contribuição à cultura brasileira.

Oficina De Olhos Vendados com Miguel Chikaoka
Pré-inscrição: até 05 de fevereiro
Entrevistas: de 05 a 10 de fevereiro
Inscrição definitiva: de 10 a 13 de fevereiro
Turma 1: terças e quintas, 19h30 às 21h30 - 24 de fevereiro a 23 de abril de 2015
Turma 2: sábados, 14h às 18h - 28 de fevereiro a 25 de abril de 2015
Local: Kamara Kó Galeria + (outras locações de acordo com a atividade)
Carga Horária: 48 horas
Requisito: interesse e disponibilidade para participar de todas as atividades.
Investimento: R$630 (parcelado em até 6x no cartão)
Vagas limitadas
Faça sua pré-inscrição. Agende gratuitamente uma entrevista entre os dias 5 e 10 de fevereiro.



Associação Fotoativa


desenvolvido por
Núcleo de Comunicação e Difusão

 

visite fotoativa.org.br
escreva a.fotoativa@gmail.comligue +55 (91) 3225-2754
Frutuoso Guimarães, 615 · Campina · Belém · Pará · Brasil