terça-feira, 20 de abril de 2010

Belo(?) Monte(?)

Foto: Dida Sampaio - 2007.
Seis motivos para ser contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte:

1) Indígenas e ribeirinhos serão afetados: a barragem a ser construída no rio Xingu vai desviar cerca de 70-80% do volume de água e inundar uma área de 500 km². Na parte do rio que vai secar, conhecida como Volta Grande do Xingu, com uma extensão de 130 km, vivem ribeirinhos e comunidades indígenas que não são consideradas pelo IBAMA como “impactadas diretamente” pelo projeto, o que significa que não terão direito a indenizações. Além disso, os pareceres técnicos indicam que há risco de não serem garantidos nem a navegabilidade do rio, nem a qualidade de suas águas, base da vida das populações locais.


2) Dúvidas sobre população urbana: a cidade de Altamira terá parte de seus bairros inundados, entretanto não há estudo conclusivo sobre o impacto. Os números variam entre 30-70% da área urbana, sendo que não se sabe a quantidade exata de pessoas a serem removidas, nem está claro para onde serão realocadas. Investigações independentes concluíram que a avaliação do estudo de impacto ambiental do projeto é incompleta e subestima a extensão dos possíveis impactos da usina de Belo Monte.


3) UHE Belo Monte é inviável economicamente: pesquisadores independentes, de várias universidades brasileiras e internacionais, analisaram o projeto e seus impactos ambientais e comprovaram que dos 11.181 megawatts de potência da hidrelétrica, apenas 39% de energia seriam gerados, pois o rio Xingu tem uma vazão que varia 20 vezes ao longo do ano e a época da cheia dura apenas quatro meses. Um documento de 2006, elaborado por dois especialistas do Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA, analisou o custo-benefício social da hidrelétrica e demonstrou que o empreendimento não seria viável economicamente e que não produziria a energia firme de 4.700 MW que consta dos estudos de viabilidade da Eletrobrás, mas apenas 1.172 MW. O modelo utilizado pela Eletrobrás, segundo os pesquisadores, só seria válido para o complexo de cinco hidrelétricas no rio Xingu, proposto inicialmente.


4) Prejuízos ao meio ambiente global: o “apodrecimento” da vegetação que ficar submersa emitirá grandes quantidades de gás metano, que contribui para o efeito estufa e é 21 vezes mais potente do que o gás carbônico / CO². Grandes barragens também causam destruição ambiental direta e indireta consideráveis, como o desmatamento de grandes áreas e o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Não há nada de limpo nem de sustentável em Belo Monte.


5) Aumento populacional e desemprego: o governo federal estima que aproximadamente 100 mil pessoas migrarão para a região, principalmente para a cidade de Altamira. Especialistas falam que este número será de no mínimo 150 mil pessoas. A Eletrobrás observa no EIA/RIMA que 18 mil empregos diretos serão gerados no pico da obra, durante 02 anos (entre o 3º e o 4º ano), e 23 mil empregos indiretos serão obtidos, totalizando 41 mil postos de trabalho. Ou seja, nas contas do próprio governo, aproximadamente 60 mil pessoas que migrarão não terão emprego em nenhum momento. A obra está prevista para durar 10 anos. No final da construção a quantidade de empregos estimados é de apenas 700 diretos e 2.700 indiretos. O EIA/RIMA avalia que 32 mil migrantes deverão ficar na região após o termino da obra. Serão milhares de desempregados, abandonados pelo governo e empreiteiras nas periferias das grandes cidades.

6) Existem alternativas menos nocivas: a realização do projeto de Belo Monte desconsidera alternativas viáveis e menos destrutivas tais como o aumento da eficiência energética e a promoção de fontes renováveis de energia, como energia solar e eólica (ventos). Um estudo realizado pela WWF-Brasil, publicado em 2007, mostrou que até 2020 o Brasil poderia reduzir a demanda energética prevista em 40% por meio de investimentos em eficiência energética. A energia economizada, com a modernização do atual modelo, sem novas barragens, seria equivalente a 14 hidrelétricas de Belo Monte e representaria uma economia de cerca de R$33 bilhões para os cofres brasileiros. Queremos desenvolvimento, mas com compromisso social e ambiental.



Marquinho Mota
Assessoria de Comunicação - Rede FAOR


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Pai da Iamã, da Anuã e do Iroy

Assessoria à Rádios Comunitárias
Viva o Rio Xingu, Viva o Rio Tapajós,Vivos Para Sempre!!!


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Alex Pamplona
Instituto Universidade Popular – UNIPOP
Revista viração/PA
Fórum da Amazônia Oriental – FAOR GT’s Comunicação e Juventude
Coletivo Jovem Pelo Meio Ambiente – CJ/PA
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2 comentários:

Murilo Rodrigues disse...

Mesmo com o leilão não devemos nos dar por vencidos... Bom ver esse espaço aqui no Blog... Parabéns!

Ana disse...

Alguém poderia ir lá fotografar o processo de montagem do brinquedo.
E depois usar as imagens como arma de resistência.