segunda-feira, 8 de julho de 2013

Diretores do Cinema Para (Re)conhecer: Andrei Tarkovski






Foto: Andrei Tarkovski (em pé) e Sven Nykvist






Através da imagem mantêm-se uma consciência do infinito: o eterno dentro do finito, o espiritual no interior da matéria, a inexaurível forma dada. Poder-se-ia afirmar que a arte é um símbolo do universo, estando ligada àquela verdade espiritual absoluta que se oculta de nós em nossas atividades pragmáticas e utilitárias (TARKOVSKI, A. Esculpir o Tempo. São Paulo: Martins Fontes, 1990).




O NovasMedias!? traz mais um diretor, a nós relevante, para encerrar nossa tetralogia sobre os grandes nomes do cinema (veja também os posts anteriores com Ingmar Bergman, Jean-Luc Godard e Michelangelo Antonioni). Desta vez, nossa breve apresentação vai para o russo Andrei Tarkovski.

Como bem pode ser desvelado com a passagem citada logo no início do post, este artista da cinematografia se dedicou a investigar/ refletiu sobre os percursos da imagem e da arte (não somente filmando, mas igualmente escrevendo). Devoto de de Bergman, Kurosawa, Buñuel e Robert Bresson, Tarkovski dirigiu seu primeiro filme em 1956, uma adaptação de um conto de Ernest Hemingway chamado The Killers

Dono, muito provável, de algumas das histórias mais intrigantes da ficção científica contemporânea (seus filmes ganharam destaque lá pelos idos de 1970, como é o caso de Solaris, de 1972, e de Stalker, de 1979), não seria menos proeminente observar que o russo trabalhou assombrosamente com dilemas psicológicos de personagens em situações limites e memorialistas (uma grande relação tributária com o sueco Ingmar Bergman, vide A Infância de Ivan, de 1962; Nostalgia, de 1983; O Sacrifício, de 1986 - este último filme, por sinal, contou com Sven Nykvist, diretor de fotografia da fase madura dos filmes de Bergman).








Imagens: Polaróides, do próprio diretor, retiradas do livro Instantâneos, editado pela Cosacnaify.


Muitos que procuram conhecer as obras do cineasta, entretanto, devem também saber que tal tarefa não é tão simples assim. Sempre achei que ver algum de seus filmes requer um mínimo de preparação (tipo um bom descanso antes, ou a consciência de que se tratará de um ensaio filmado/ experiência provavelmente marcada por um tom intimista e sem signos tão diretos assim), ao passo que ter uma, duas, três sessões com a mesma obra é interessante para desvendar as suas várias camadas de significados.

Ah, não se engane com a refilmagem de Solaris (2002), feita por Steven Soderbergh - por mais que eu a ache divertida, em algum sentido, esta mesma está distante de sua originária e não passa de uma cópia fajuta e esvaziada. Por isso mesmo, quando se trata de um genuíno Tarkovski, prepare-se para hipnotizantes e silenciosas películas, visuais arrebatadores (O Espelho é, provavelmente, seu maior exemplo) e estados de ânimos pensativos e nada pasteurizados (como ele mesmo afirmou, “my purpose is to make films that will help people to live, even if they sometimes cause unhappiness”). Aliás, tenha em mente que uma maior compreensão de sua carreira também pode ocorrer com a ajuda de seus livros de ensaios e de seus cadernos de estudos de imagens.

Possivelmente, Andrei Tarkovski foi o cineasta que teve o papel mais marcado para minha trajetória de conhecer algo sobre o cinema. Como muitos autores, filósofos e cotidianos pensadores já falaram, a arte, estranhamente, irradia para nossas vidas (e este foi um semelhante caso), a tal ponto de acabarmos por virar personagens destas narrativas tão distantes e tão próximas, plenos de novos sentimentos e enredos.

Este grande nome do cinema morreu em 29 de dezembro de 1986, em Paris, vítima de um câncer pulmonar.

Poster de Nostalgia (1983)

08 Filmes de Andrei Tarkovki (já que ele tem, infelizmente, uma filmografia curtinha)

01 - O Espelho
02 - Stalker
03 - O Sacrifício
04 - Nostalgia
05 - Andrei Roublev
06 - A Infância de Ivan
07 - Solaris
08 - O Rolo Compressor e o Violinista



By John Fletcher

Nenhum comentário: