domingo, 19 de maio de 2013

Diretores do Cinema Para (Re)conhecer: Michelangelo Antonioni





Foto: Monica Vitti e Michelangelo Antonioni





Dando continuidade aos diretores do cinema para (re)conhecer, o NovasMedias!? optou por trazer um dos mais interessantes do universo italiano, Mr. Michelangelo Antonioni. Tido por muitos autores especializados como um dos pilares da cinematografia contemporânea, este diretor foi participante do movimento neo-realista italiano, e teve uma carreira melhor estabelecida quando privilegiou, logo então, uma abordagem fílmica pessoal e reflexiva em torno dos dilemas do homem urbano.

Antonioni obteve sua fase de auge criativo através da quebra de suas amarras estilísticas nos idos da década de 1960, momento este no qual os filmes As Amigas e O Grito, por sinal, mostraram os primeiros indícios de um reinventar a sétima arte, e que culminaria com a sua famosa trilogia da incomunicabilidade (trilogia de A Aventura, A Noite e O Eclipse, mais especificamente), ganhadora de importantes prêmios na época (Festivais de Cannes e de Berlim).

Para muitos a linguagem cinematográfica só tomou forma graças ao italiano, uma vez que a ruptura com a literatura e o teatro foi de vez. Antonioni deu lugar a uma expansão dos limites experimentais de filmar e pensar cinema, reencantou plateias com operações estilísticas originais e intelectualizadas, empreendeu uma longa trajetória de brincadeiras metalinguísticas, silêncios coadjuvantes e personagens erráticos para os novos tempos. Suas narrativas chamaram a atenção para a não necessidade de um início e de um fim, pois eram embaladas por um espírito fenomenológico de que a vida era nada mais do que ocultação, totalidade inalcançável.

Outra observação interessante é a de que após o cinema de Antonioni, ao lado de outros diretores emergentes daqueles tempos (caso dos demais participantes do neo-realismo italiano, de Ingmar Bergman, dos integrantes da nouvelle vague), Hollywood finalmente não seria mais a definitiva referência de qualidade para se pensar a arte de filmar. Ainda hoje, inclusive, tais marcadores históricos da sétima arte européia deram a ela um viés mais crítico e de maior profundidade psicológica, se colarmos em paralelo a produção americana em geral.

As incursões de Antonioni no cinema estrangeiro ocorreram em dois momentos: com Blow Up, obra prima que capturou o Swinging London dos anos 1960; e com Zabriskie Point, mergulho lisérgico no cenário americano da contra cultura estudantil, cuja trilha sonora fora assinada pelo Pink Floyd. Além do mais, o diretor teve a atriz Monica Vitti como sua atriz e musa, trabalhou com ela em vários filmes e teve um relacionamento de longa data (dizem as más línguas que a ruptura se deu, realmente, por conta da participação de Vitti no filme de espionagem-psicodélico Modesty Blaise).

Para muitos, a carreira do diretor apresentou uma irregularidade após o lançamento de O Deserto Vermelho, em todo caso, e contra tais opiniões, considero igualmente relevantes as obras Profissão: Repórter (grandioza atuação de Jack Nicholson) e Identificação de uma Mulher, pertencentes a esse período "menor".

Antonioni, nos derradeiros anos de sua vida, trabalhou ainda com a ajuda do cineasta Wim Wenders para terminar seus últimos longas, como é o caso do belíssimo Além das Nuvens (a aproximação entre os dois ocorreu quando da participação de Antonioni nos diálogos-relatos de Quarto 666, documentário do cineasta alemão feito em Cannes, no decorrer da divulgação/ exibição de Paris Texas). Antonioni morreu no mesmo dia da morte do cineasta Ingmar Bergman, 30 de julho de 2007.



Poster de Blow Up (1966)


 10 Filmes de Michelangelo Antonioni

01 - A Aventura
02 - Blow Up
03 - A Noite
04 - O Deserto Vermelho
05 - O Eclipse
06 - Profissão Repórter
07 - Zabriskie Point
08 - Além das Nuvens
09 - O Grito
10 - As Amigas



By John Fletcher

2 comentários:

Novas Medias!? disse...

me falaram de um filme do Pasolini, na verdade é um doc, q ele pega uns fragmentos de filmes e monta um longa...Eu na verdade, ñ entendi direito, vou me informar melhor..

Ricardo Macêdo

John Fletcher disse...

qual é o filme, ricardo?

um caso famoso é "down by law", do jim jarmusch, e que foi feito com restos do filme "o estado das coisas", quando o mesmo trabalhava como assistente para o wim wenders.

o pasolini sempre foi reacionário. acho muito plausível esse episódio possível.