sábado, 27 de abril de 2013

Diretores do Cinema Para (Re)conhecer: Jean-Luc Godard



Foto: Jean-Luc Godard e  François Truffaut



Dando continuidade ao nosso bate papo sobre alguns dos diretores de filmes estrangeiros mais interessantes para se (re)conhecer, o Novas Medias!? traz, dessa vez, Jean-Luc Godard, nome atrelado ao movimento francês da Nouvelle Vague; movimento o qual surgiu no final da década de 1950, em Paris, contra os ditames do então cinema de estúdio, principalmente daqueles marcados por técnicas empoladas e rígidas.

Criador de uma série de obras relevantes para o fazer filme contemporâneo, e claro exemplo de ame ou odeie nas telas, visto o fato de suas obras, realmente, fugirem do conhecido lugar comum – o mesmo sempre tratou de abrir espaço para um leque de experimentações e expansões na experiência fílmica –, Godard é uma descoberta obrigatória para interessados pela sétima arte e pelo olhar, pela imagem como metáfora e como reconhecimento criativo dos seus usos cotidianos frente às eternas novas tecnologias. Muito embora suas películas, em alguns momentos, pareçam difíceis, por nos fazer desaprender parte de uma receita visual hollywoodiana, o diretor francês encontrou seu lugar na história e influenciou inúmeros cineastas conhecidos, como Quentin Tarantino, Leos Carax e Danny Boyle.

Antigo crítico do Cahiers du Cinema, revista de reconhecida importância para a crítica cinematográfica durante a década de 1960 (e que ainda contou com outros grandiosos nomes da Nouvelle Vague, como Eric Rohmer, Claude Chabrol, François Truffaut, Jean Pierre Melville, Jacques Rivette), o maior enfant terrible dos anos 1960 na França é aclamado, por grandes intelectuais de nossa época, como um grande ensaísta na pele de um cineasta; possuidor de um discurso lúcido e feroz, no qual seus longas-metragens são, antes de qualquer coisa, uma plataforma de argumentação filosófica, política e social para nossos dilemas.

E eu bem acredito que assistir Godard vai muito além da tela. É uma troca pessoal entre confluentes formas narrativas, ora silenciosas, ora barulhentas, as quais se apegam à nossa memória, mesmo muito depois da sessão ter terminado. Por exemplo, certos títulos são verdadeiras peças de videoarte, com direito a operações originais de som e imagem (vide “Je Vous Salut, Marie”, “Infelizmente Para Mim”, “Filme Socialismo”, o seu próprio curta, componente do filme coletivo “Amor e Raiva”), ao passo que tantos outros seus serviram (e ainda servem) de alternativas estilísticas e conceituais para toda uma geração criada com/ a partir do seu cinema.

Como sua carreira é bem extensa, e o nosso intuito não é o de criar um verdadeiro tratado sobre o diretor francês, podemos citar, grosso modo, que a mesma se divide em uma fase inicial mais narrativa (e aqui encontramos suas pérolas como “Acossado”, "Uma Mulher é uma Mulher", “Bande à Part”, “O Desprezo”, “Alphaville”, “O Demônio das 11 Horas”, “Masculino Feminino”, "Uma Mulher Casada"); outra ativista e política, a qual se manteve mesmo depois, mas não tão enfaticamente (destaque para “A Chinesa”, “Weekend à Francesa”, “Tout va Bien”, “Le Gai Savoir”); uma terceira de retomada narrativa, porém com dramaticidade política (“Je vous Salut, Marie”, “Prenome Carmen”, “King Lear”, "Detetive"); e uma quarta de metalinguagem poética e experimental (“Forever Mozart”, “JLG por JLG”). Destaco, além do mais, o clássico “Sympathy for the Devil” (1968), o qual mostra o processo de criação da música de mesmo título da banda The Rolling Stones, o violento “O Pequeno Soldado” (1963), a divina comédia moderna “Nossa Música” (2004) e seu curta metragem mudo, em “Cléo das 5 às 7” (1962), de Agnès Varda.

A título de outra consideração, o curta metragem “O Amor”, parte integrante da já mencionada obra “Amor e Raiva” (1969), a qual traz vários diretores famosos, hoje, num auge experimental e criativo, como é o caso dos italianos Bernardo Bertolucci e Marco Bellochio, faz uma síntese da carreira de Godard para mim, ao abordar o roteiro de um modo completamente multissensorial, com imagens que dialogam com os efeitos de som e roteiro, numa espiral de interferências e parcerias. E, não obstante, o documentário “Quarto 666” (1982), do cineasta Wim Wenders, gravado durante o festival de Cannes quando da apresentação e premiação máxima da obra-prima “Paris Texas”, é outro título relevante por trazer também uma entrevista com Godard falando sobre o futuro da sétima arte (por sinal, o Antonioni é outro cineasta a fazer previsões coerentes e proféticas, muito bem fundamentadas).

Godard tem uma carreira prolífica e, acredite, ainda está na ativa (seu último filme é de 2010, “Filme Socialismo”). Talvez seja um dos últimos grandes gênios vivos do cinema, ao lado do francês Alain Resnais (de “O Ano Passado em Marienbad” e “Hiroshima, Meu Amor”). Foi parceiro no trabalho e na vida sentimental da atriz Anna Karina, a qual trabalhou em diversas de suas obras e também representou o rosto entediado e blasé da Nouvelle Vague, além de ter sido amigo próximo de François Truffaut (mas uma briga os afastou, lá pelos idos do final da década de 1960 e início da década de 1970).


 Poster do Filme Bande à Part (1964)



10 Filmes de Jean-Luc Godard

01 - Acossado
02 - Bande à Part
03 - O Demônio das 11 Horas
04 - A Chinesa
05 - Je Vous Salut, Marie
06 - O Desprezo
07 - Alphaville
08 - Weekend à Francesa
09 - Filme Socialismo
10 - Viver a Vida



By John Fletcher

Nenhum comentário: